Não "brinquem" com os filhos !!!
Está
cada dia mais normal, pessoas exibindo ao mundo, o que entende de
poder. Sentem-se beneficiados por um sistema enfraquecido, que mais
liberta do que prende, que mais libera do que proíbe. Isso
acontece com grande maioria de pessoas, estejam (ou não) ligadas ao
mundo do crime, como nos feminicídios. E a lista não pára de
crescer. Cada dia mais, homens e mulheres, estão sentindo-se
“poderosos”, valendo-se de recursos como armas de fogo, tráfico,
dinheiro, poder, influência, si próprio e mulas (nos dois sentidos
da palavra).
Como
se já não fosse o bastante, há outras formas de poder, imposto por
pessoas que acreditam ser a melhor forma de impor sua autoridade
sobre outras, aparentemente mais passivas, como costuma ocorrer entre
pais e filhos e entre cônjuges. Jovens e adolescentes de maior
poder aquisitivo gostam de exibir sua condição, como quem exibe um
falso troféu, pois o que fato gostariam de exibir mesmo, é o de
fazer parte de uma família (em vez de uma melhor condição
financeira). Isto os acaba levando para uma vida paralela e cada vez
mais desafiadora, buscando preencher o vazio deixado pela perda da
convivência familiar. Sentem-se poderosos.
O
que em ambos os casos passa despercebido, é que este suposto poder,
não provém de um ambiente (fora de si) mas, de dentro. Quem de fato
sente-se poderoso é o nosso inconsciente, sendo o corpo mero objeto
de manifestação e manipulação. É lá que se encontra o
reprimido, onde são guardados lembranças e ressentimentos, assim
como a raiva, que torna-se ódio à medida que crescem. Com o avanço
da idade se eleva-se a intensidade das reações emocionais
pregressas, sobre as quais não se tem controle, por desconhecer sua
origem.
Diante
disso tudo faço aqui um alerta, que se atenham aos hábitos que
estão pregando, que descubram e saibam o quanto antes, se os mesmos
não estão provocando rompimentos de ligações de amizades e
amorosos, culminando em ações egocêntricas que venham a destruir o
mínimo de laços (de convivência) que ainda possa existir. A
humanidade parou de aprender e está lidando com o conhecimento
limitado que obteve e deste (e em razão disso), um fator sério de
risco está surgindo: Os traumas infantis estão emergindo e
muitos deles sem controle.
Enquanto
criança, passam despercebidos mas, à medida que crescem, pode
tornar-se evidente e manifestar-se de forma arredia, comprometendo as
relações familiares, em que os pais não sabem como agir ou como
conter tal desvio de conduta. A dificuldade piora as relações e,
como mecanismo de defesa de ambos (pais e filhos), o orgulho é
instalado e se afastam entre si. Uma vez “livre”, os traumas
atuam sem controle, de várias maneiras e intensidade.
Assassinos,
psicopatas ou pedófilos, não se criam sozinhos, estão sendo
produzidos em casa, conforme o tipo e forma de convivência familiar.
Muito dos tratos está passando batido, achando que não causou
nenhum mal sobre filhos pequenos, quando na verdade foi gravado e
guardado pelo inconsciente e lá ficará até que um gatilho
psicológico o faça emergir, sabe-se lá como e de que forma e
intensidade. No inconsciente o tempo não existe, de forma que as
emoções sentidas hoje, são sentidas como se estivessem ocorridos
ainda ontem, com a mesma raiva (se não mais), em forma de ódio.
Pais
postam no youtube (achando engraçado), vídeos discutindo com
crianças, onde estas (sem saber), levam a sério a discussão,
guardando em si a raiva resultante. Depois, quando crescem, adotam a
forma de trato recebido “lá trás”, deixando atônicos os pais,
quanto a se questionarem sobre como e onde obtiveram tal
comportamento. E não pára por aí. Temperamentos influenciam
personalidade, que passam à adotar conceitos sobre pessoas, que
poderão ser futuros personagens, do algoz que lhe causou “ontem”
um sofrimento, que hoje não entende, mas que o perturba
emocionalmente.
Está
mais do que na hora de deixarmos de ser ingênuos sobre os filhos, em
qualquer idade, mesmo ainda no ventre, uma vez que lá, depois de
formado, começam a receber as primeiras experiências emocionais, as
quais advém do ambiente externo e da própria mãe. Quando
alterações de conduta se manifestarem, saibam que tem origem
precoce, cuja idade carece investigação, embora se constituam, em
média, até os cinco anos de idade, onde se presume (até aqui) não
terem compreensão dos fatos e, justamente por isso, são guardados
(para proteção do corpo) no reprimido, vindo a emergir e manifestar
já na fase juvenil ou adolescente.
Não
“brinquem” com os filhos !
Professor
Amadeu Epifânio – Psicanalista Cognitivo.
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