O PAVIO PARA COMEÇO DE MUITAS GUERRAS !
Eis
a principal razão, para o início de muitos conflitos, de natureza
filial, especialmente nas relações entre pais e filhos e, entre
alunos e educadores. Um detalhe
tão presente quanto expressivo e todos, esquecem de considerá-lo,
seja
no trato para com filhos ou
com os
alunos, não importa a série em que estão. Toda questão recai
sobre o mesmo ponto:,
os que vieram “ontem”, desejam que
os novatos, façam, sigam,
obedeça sem questionar,
tal como era
“antes” (bem lá no
passado).
Do
passado trazemos na bagagem muitas coisas, como educação austera
por exemplo. Não que tenha sido algo tão presente e penoso para os
filhos e alunos, uma vez que era tão comum quanto aceito pela
maioria da época e que, portanto, não cabia comparação, pois que
a resposta seria indiscutivelmente, a mesma. “Lá em casa é sempre
assim, já estou acostumado” (mesmo
quando as lições tinham de ser mantidas, para alguns, na base da
palmatória).
Mas
o mundo mudou e houve certo avanço na forma de se educar as novas
gerações, muito embora ainda haja quem tremule a mesma bandeira do
passado, num presente onde a mesma já deixou de ser hasteada por
muitos. Culturas se divergiram e se espalharam pelo mundo, certas,
erradas, diferentes, enquanto outras ainda persistentes. Não se
pode querer implantar o passado forçosamente, enquanto muitos ainda
estão tentando fazer o seu melhor, para que seus filhos possam ter
uma formação tal que lhe assegure estabilidade num mundo instável
e hostil.
Persistir numa postura atrasada é o mesmo que implantar uma mina
terrestre dentro da própria casa e que, mais dia menos dia acabará
pisando nela e os danos com certeza, serão irreversíveis.
De
qualquer forma, está fazendo com que essa austeridade seja levada e
transferida adiante pelos filhos e repassada aos netos da mesma
forma, causando neles problemas psicológicos, traumas, compulsões
alcoólica e drogas, quando não alguma forma de transtorno, como
ansiedade, pânico, depressão ou quem sabe ainda, suicídio, pelo
simples fato de não entender porque em vez de amor, alguns pais
retribuem com repúdio, ignorância ou indiferença. As cracolândias
estão aí, cheias de exemplo, de jovens que até hoje estão
tentando entender essa postura e provavelmente, vão acabar morrendo
sem saber, porque nem
a droga (nem os
traficantes) esperam.
Pais
e educadores precisam saber aceitar o óbvio, que entre o dia que
nasceram e o dia que seus filhos (e futuros alunos) nasceram, quanta
água já não passou
debaixo dessa ponte ? É preciso aceitar o inevitável, da
violência que assola os inocentes, das balas perdidas que só acham
o coração dos que amamos, mas que nem por
isso paramos para
abraçá-los, pois não sabemos se eles irão voltar para casa ou, se
irão nos encontrar ao final de mais um dia de trabalho ou de
faculdade.
A
vida em família ou, a vida escolar, não consiste em impôr uma
cultura em detrimento de outra, mas sim, trabalhar para que ambos
conciliem interesses comuns e possam conviver em harmonia,
independente do quanto se divergem em cultura e educação. Conflito
de gerações está presente em diversos setores da sociedade, como
nas relações entre empresas e clientes, médicos e pacientes,
patrões e empregados, técnicos e atletas.
As
diferenças de gerações são sentidas por cada pessoa, de acordo
com seu modo de vida, idade, maturidade, conceitos, expectativas e
perspectivas. Ou seja,
há muito que considerar, quando se é cobrado o papel de educar,
orientar, aconselhar, instruir e ensinar. Fazer tudo isso de uma
forma errada, austera e grosseira, pode estar desperdiçando a última
chance de fazê-lo, pois aqueles que ouvem, estão também, perdendo
a confiança (por mais que se queira passar o melhor conselho do
mundo).
“O
principal objetivo da educação é criar pessoas capazes de fazer
coisas novas e não simplesmente repetir o que outras gerações
fizeram.”
(Jean
Piaget, biólogo, psicólogo e epistemólogo suíço)
Professor
Amadeu Epifânio – Psicanalista Cognitivo