SÃO MAIS FORTES QUE O TEMPO.
Existem
marcas criadas na infância, cuja as quais nem mesmo o tempo é capaz
de reter. São marcas (feridas), que de tão forte (para uma
criança), tornam-se resistentes e também latentes, à medida que a
distância entre quem gerou e quem sofreu, aumenta de forma
progressiva, reduzindo em igual proporção, as sensações de
remorso.
Quando
alguém que passou por uma experiência triste, percebe que a chance
de rever a pessoa que lhe causou a dor, se reduz com o passar do
tempo, da mesma forma o ressentimento que lhe habita o coração,
começa aos poucos, vazar, quase que sem controle, primeiramente em
forma de atos falhos, ou seja, fragmentos da lembrança da dor,
deixada sem explicação, como uma enorme frustração.
À
medida que o tempo passa e ambos permanecessem distantes entre si, as
marcas deixadas começam a transparecer e se manifestar,
principalmente sob a sensação de possível alívio, por não
precisar mais, reter tamanha dor em seu coração. Obviamente, tal
rejeição não ocorre de forma presencial, mas por qualquer outra
forma, enquanto distantes. Indiferente ao tipo de relação entre
ambos, tal fato acontecerá da mesma forma, uma vez que trata de uma
ação inconsciente, cujo propósito é promover o bem-estar do
corpo, pelo máximo de tempo que puder.
Tal
sensação de alívio, reporta ao corpo uma falsa sensação de
liberdade, no que concerne à se auto permitir agir conforme sua
própria convicção, ao passo que a pessoa que mantém certo laço
afetivo com ela, comece a sentir e sofrer por possível apatia,
advinda não somente da pessoa à quem provocou a dor, bem como da
forma involuntária e inconsciente de reação, por parte da mesma.
Não
são precisos gatilhos psicológicos, para que a tristeza venha à
tona, basta apenas que a distância entre ambos permaneça por mais
tempo do que se pode prever, elevando a sensação de liberdade,
quanto a desprezar não somente a pessoa, quanto seu instinto
afetivo. Sempre digo que sofremos mais, por não entender o que
passamos, do que pela dor que sentimos. Tome uma ação passiva e
investigativa, para aprender aceitar o inaceitável e entender e
incompreensível. Talvez seja mais fácil assim, salvar ou retomar
uma relação, quando ao menos um dos lados entende o que se passa
com o outro.
“O
homem que sofre antes de ser necessário, sofre mais que o
necessário”. (Sêneca)
Professor
Amadeu Epifânio – Psicanalista Cognitivo.
PROJETO VIVA+ Corrigindo Passos para um Caminho + Seguro.